Pesquisadores de MT revelam novo fungo causador da Paracoccidioidomicose

Nova espécie de fungo (P. lutzii) da PCM descoberta em MT por pesquisadores da UFMT e UnB com apoio da Fapemat. Descoberta impulsiona teste diagnóstico nacional.

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Pesquisadores de MT revelam novo fungo causador da Paracoccidioidomicose
Foto: Widson Ovando - Descoberta no HUJM Impulsiona Desenvolvimento de Teste Nacional para a Micose

Pesquisadores de Mato Grosso alcançaram um marco significativo na compreensão e combate à Paracoccidioidomicose (PCM), uma micose sistêmica de relevância para a saúde pública, ao identificar uma nova espécie do fungo causador da doença, denominada Paracoccidioides lutzii. A descoberta, fruto de investigações no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT), a partir de amostras clínicas de pacientes atendidos na unidade de referência, lança luz sobre a etiologia da PCM, que afeta principalmente trabalhadores rurais e indivíduos com contato direto com o solo.

O Paracoccidioides lutzii, assim como outras espécies do gênero, reside no solo e a infecção ocorre pela inalação de seus esporos, que se alojam nos pulmões. A PCM pode evoluir para quadros crônicos com sequelas pulmonares graves e diversas manifestações clínicas, incluindo lesões mucocutâneas e em outros órgãos. A homenagem ao Dr. Adolfo Lutz, pioneiro no estudo da doença, ao nomear a nova espécie, sublinha a continuidade da pesquisa científica no campo da micologia médica.

A pesquisa, que envolveu a colaboração entre a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e está integrada ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFMT. A coordenadora do estudo, Dra. Rosane Hahn, dedica-se há quase três décadas à investigação da PCM em Mato Grosso, acumulando um vasto conhecimento sobre a epidemiologia e as manifestações clínicas da doença na região.

A descoberta da nova espécie, aliada à recente obrigatoriedade de notificação da PCM em Mato Grosso, reforça a urgência do monitoramento epidemiológico e do aprimoramento das ferramentas de diagnóstico e controle da micose em todo o país. Atualmente, o grupo de pesquisa, em parceria com a Secretaria de Estado Agricultura Familiar/MT (SEAF), desenvolve um projeto para identificar fatores epidemiológicos da PCM em nove municípios da Baixada Cuiabana, através da análise de amostras de sangue de agricultores familiares.

Estudos epidemiológicos já demonstram uma maior prevalência da PCM em homens, numa proporção de 14 para 1 em relação às mulheres, indicando um possível papel protetor do hormônio estrogênio.

Um projeto com financiamento de R$1,5 milhão do Ministério da Saúde impulsiona agora os pesquisadores na obtenção de um antígeno capaz de detectar tanto o complexo P. brasiliensis quanto a recém-descoberta espécie P. lutzii. O objetivo é disponibilizar esse antígeno para uso nos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN’S) de todo o Brasil até o final de 2025. A iniciativa envolve a colaboração de importantes instituições de pesquisa como USP, FIOCRUZ (RJ), UNIFESP, UNESP e o Instituto Adolfo Lutz (IAL-SP). Atualmente, a sorologia para PCM é realizada de forma manual apenas no laboratório de Micologia da UFMT.